2 de Novembro, 18h30
Conferência: "Artes, Hiperligações e interactividades" / " Work Arts, Hyperlinks and Interactivities"
Paolo Rosa, José Bragança de Miranda,
Heitor Alvelos, operador cultural, doutorado em Estudos de Cultura Visual, Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto.
José Bragança de Miranda, sociólogo, doutorado em Ciências da Comunicação, Universidade Nova de Lisboa / Centro de Estudos de Comunicação e Linguagem.
Paolo Rosa, artista multimédia, colectivo Studio Azurro, Academia de Brera e Fabbrica del Vapore (Milão).
Sinopse dos temas a abordar
Heitor Alvelos
Se algo caracteriza a urgência da Arte contemporânea é precisamente a sua necessidade de nova reinvenção: os avanços exponenciais dos sistemas digitais interactivos trazem a inevitabilidade do regresso da consequência ao território da Arte. Propõem ainda estes uma revisão profunda do paradigma (geografica e historicamente circunscrito, diga-se) que celebrava o artista enquanto ser irremediavelmente individual, dotado de uma visão singular e irredutível.
Se alguma constante existe ao longo da História no que à Arte diz respeito, será precisamente a sua permanente mutabilidade. A Arte desde sempre foi, e pretendeu sucessivamente derivar de, um conjunto de universos profundamente diversos. Magia, Religião, Política, Tecnologia... até de novo se reinventar enquanto território conceptual de expansão e especulação, rapidamente transportada, por via do seu consumo, para o território da excentricidade isenta de consequência tangível.
Ora, se ao artista sem tem permitido a excentricidade, exigido o excesso e concedido imunidade, no pressuposto de que só assim a originalidade poderia florescer, as actuais redes de criação e participação provam prontamente a falência de tal cenário. Apresentar-se-á um conjunto de exemplos de projectos criativos que têm vindo a realizar esta profunda mudança de paradigma, e discutir-se-á o seu recente impacto junto de públicos, instituições - e artistas.
Paolo Rosa
A inovação tecnológica não se limita a responder às exigências humanas, mas também as cria, causando dependência do conforto que proporciona, e impondo-se sobretudo à nossa parte emocional e sensível Ao contrário do que se imaginava – i. e., que as máquinas agissem como uma extensão dos nossos sentidos – verifica-se uma gradual privação dos sentidos, que as tecnologias levam para fora de nós. portanto, debilitam-nos. A inépcia do homem para gerir e orientar a complexidade do aparato tecnológico por si próprio criado tem onerosas repercussões no plano ambiental e social. O homem tem à sua disposição dispositivos técnicos sem precedentes que dilatam imensamente as suas potencialidades produtivas e comunicativas, mas simultaneamente produzem um perturbante acréscimo de conflitos e dificuldades relacionais.
Neste contexto, a arte deve desempenhar o papel de anti-corpo relativamente a um sistema que se transformou num organismo doente: agindo como veículo de “desestabilizações virtuosas” e reencontrando uma nova centralidade social. A utilização dos dispositivos interactivos nas suas várias articulações pode, em especial, tornar-se no elemento catalizador de diálogos e colaborações entre os indivíduos, de relações renovadas com o território, e de regenerações da memória.

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Informações:
Todas os eventos decorrem no Clube Português de Artes e Ideias
Largo Raphael Bordallo Pinheiro nº 29, 2º 1200-369 Lisboa
email: geral@artesideias.com |

Heitor Alvelos If any permanent tenet exists throughout History concerning art, it would be precisely its continuous mutability. Art has always been, and successively aimed to stem from, a deeply diverse set of worlds. Magic, Religion, Politics, Technology...until it reinvents itself again as conceptual territory of expansion and speculation, rapidly transported, by means of its consumerism, to the domain of eccentricity devoided of any tangible consequence.
If something characterizes the urge of contemporary Art, it is precisely the need of reinvention: the exponential advances of interactive digital systems bring inevitably the return of consequence to Art’s own fields. They also call for a deep review of the paradigm (geographically and historically confined, we should mention)that celebrated the artist as an irredeemably individual being, gifted with a singular and irreducible vision.
If to the artist eccentricity has been allowed, excess has been demanded and immunity has been given - on the premise that only this way originality could flourish – the current networks of creation and participation prove promptly the bankruptcy of such scenery. A set of examples will be presented featuring creative projects which concur to deeply shift the paradigm, followed by a discussion about its impact upon audience, institutions and artists.
José Bragança de Miranda
Paolo Rosa
Not only do new Technologies meet new human demands but they also create them, as we become dependent upon them for comfort and as they target mostly our emotional and sensitive side. Contrary to expectations – that machines would act as an extension of our senses – technologies project our senses from out of us, and thus lead to a gradual sensorial depletion. Our inability to manage the complexity of the technological apparatus created by ourselves weighs heavily on environmental and social areas. We nowadays have access to unprecedented technical devices that greatly enlarge our productive and communicative potential, but simultaneously produce a puzzling surplus of conflicts and relational handicaps.
In such a context, art should play the role of an antibody in a system that has become an afflicted organism, acting as a means of “virtuous unsettlements” and discovering a new social centrality. In particular, the use of interactive devices in their various actualities can enhance dialogue and collaboration among individuals, as well as renewed location awareness and the reactivation of memories.
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